sexta-feira, 29 de março de 2013

São as narrativas que andam a lixar isto tudo!

São as narrativas que andam a lixar isto tudo. As duas escondem a verdade e a realidade dos factos. É no confronto das narrativas que se constrói a política e se engana o povinho!

Este processo de construção de narrativas, usadas para pelejar na arena política, em que ambos os lados beneficiam do facto de as narrativas permitirem omitir e tapar a realidade das coisas, e de utilização das mesmas para propagar no tempo esta camada de realidade ilusória, muito bem aceite e solicitamente servida a preceito pelos órgãos de comunicação social do "establishment", contribuiu e contribui para o status quo da nossa vida política, democrática e governamental/estatal, a saber, a ilusão é tanta, as narrativas são tão bem adoptadas por outros para além dos políticos partidários, também  actores principais e com responsabilidades mais práticas, como os governantes, os deputados, os directores gerais, os directores das empresas do estado, os autarcas, os políticos e os governantes regionais, e mais grave, até pelos agentes judiciais, desde o MP, advogados e até juízes, de tal forma que nunca ninguém tem culpas, a não responsabilização grassa em todos os níveis e sectores, nunca se sabe ao certo quem fez o quê, aonde e quando, e andam todos enredados há anos nisto, que é o perfeito ambiente para a impunidade se instalar e os dolosos, os incompetentes e os corruptos se esconderem!

Se queremos salvar a democracia e também a nobreza da política, temos de avançar numa luta sem quartel contra as narrativas, descodificando esta realidade virtual que elas construíram e constroem, afastando e descredibilizando, tornando ineficazes, os pagagaios das narrativas, perseguindo um labor de investigador e de arqueólogo, para penetrar na camada por debaixo, abaixo dos filtros criados pelas narrativas, reunindo os factos e os números para os ligar e associar por relações agora reais de causa e efeito, reconstruindo a realidade.

Só assim será possível sair deste estado de hipnose colectiva, um estado que é receptivo e se alimenta de pseudo factos como os conteúdos da entrevista ao ex 1º ministro, porque a entrevista e o que se lhe seguirá, o comentário político, eles mesmos, em conjunto com os outros comentadores políticos, são fonte e matéria de que se tece a realidade ilusória e virtual.

Nota: uso e abuso da palavra narrativa, neste publicação, não por contágio da entrevista de Sócrates, mas por inspiração da análise de José Pacheco Pereira, ontem, 5ªf, no programa Quadratura do Círculo!