terça-feira, 19 de março de 2013

Reflexão: hoje, com o mundo "descoberto" e mais ou menos independente, sem o Império, sem a Índia, o Brasil ou África, reduzido a um território acanhado e pequeno, encastrado numa península Ibéria dominada pelo gigante espanhol, sem fuga, a velha nação lusa está exausta, humilhada e sujeita a ser tratada com menoridade e condescendência por uma Europa egoísta, obtusa, dirigida por alemães ríspidos e complexados, seguida de perto por holandeses calvinistas frios, finlandeses obreiros e ingratos, nórdicos organizados, ricos e incapazes de entender o sul. Franceses, italianos e espanhóis orgulhosos, mas endividados até ao osso, pouco podem opor. Os ingleses são ambíguos, interesseiros, jogm com um pé dentro e outro a tocar nos EUA. Os outros povos pouco contam, divididos na defesa do seu quintal, estigmatizados por uma história europeia que deixou marcas profundas. 

Há dois dias Chipre mostrou-nos o que é a solidariedade da UE, a insustentável leveza da compreensão europeia esfuma-se com as crescentes dificuldades financeiras, da dívida soberana, que ameaçam o crescimento e estagnam a zona euro, incluindo a toda poderosa e industrial Alemanha.

Os tempos são de clivagem, a margem para o cinismo e a aparência nos mútuos interesses reduz-se à crueza da realidade nua e crua da "real politik".

Penso que a situação europeia e a crise interna estão a acelerar a história em Portugal. Aproxima-se vertiginosamente um momento de alta exigência, que raras vezes confrontou os portugueses.

Em quase nove séculos de história, a nação teve sempre uma rota de escape, uma caminho de fuga, de expansão, de renovação. na Idade Média foi o território oscilante conquistado aos mouros, depois foi a expansão para o Norte de África, a que se seguiu a conquista do oceano Atlântico e a construção do império na Índia e na costa ocidental de África. Após a restauração, foi a expansão e a consolidação do Brasil, depois a corrida à partilha de África no séc. XIX em que não ficamos de fora. Em 1974, o 25 de Abril desmembra uma ditadura, fecha o ciclo do império e pela mão de socialistas como Mário Soares, procuramos espaço vital na UE. Revelou-se, ao fim de quase 40 anos, uma faca de dois gumes. E o gume mais cortante está a sobrepor-se. Os portugueses abdicaram do esforço, abriram mão de sectores económicos e "venderam-se" aos QREN. Permitiram ser governados por gente fraca e oportunista, em roca de uma carteira mais ou menos recheada de euros e meios de pagamento para uma nova forma de vida consumista. Como país, desinvestiu-se nos transaccionáveis e optou-se pelos serviços, massa monetária em forma de crédito, dívida e pouco rigor financeiro. A mãe Europa trataria sempre de nós.

Pois Sábado percebeu-se que a mãe Europa é uma vaca velha, que não distribui "amor" e "amizade", porque é uma cabra muito egoísta, uma meera viciada em bem estar para alguns, em austeridade sem sentido para os mais fracos e menos aptos a manter contas em dia!

Sinto que esse momento importante se aproxima, um tempo de cruas definições, decisões rápidas e corajosas, que exigirá que os melhores dos melhores, os mais capazes dos capazes, os mais fortes dos fortes, os mais destemidos dos destemidos, os mais respeitosos da herança secular se assumam e se cheguem à frente.

Nesse momento que nos irá solicitar e pôr à prova, como nação e como povo, terá o mérito de separar as águas turvas do pântano actual, uma vez por todas - de um lado a água, de outro o lixo e a matéria putrefacta.

O país e os portugueses, esses, continuarão. Mas terão de ser os esclarecidos acima referidos a carregar a responsabilidade e o risco altíssimo de garantir que a nação e o povo continuam de cabeça levantada, com  dignidade, amor próprio e independência.

Ser menorizado e tratado como inferior, estar amordaçado e sujeito a penhora, não é maneira de perseguir um futuro colectivo.

Por isso, a hora dos oportunistas cobardes e sem escrúpulos e sem ponta de vergonha aproxima-se. Não é a hora H, é a hora F, de FIM.

Que se ergam os nossos melhores, e que digam presente quando o momento os chamar.   

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